Literatura

Literatura é a arte que usa a palavra como expressão da sensibilidade humana.

Literatura sobre o Brasil

Século XVI - Os primeiros registros de atividade escrita no Brasil não são obras literárias e sim textos informativos sobre a terra. São crônicas históricas como a Carta ao Rei dom Manuel, de Pero Vaz de Caminha; o Tratado da Terra do Brasil e a História da Província de Santa Cruz a Que Vulgarmente Chamamos Brasil, de Pero Magalhães Gândavo; o Tratado Descritivo do Brasil, de Gabriel Soares de Sousa; e o Diálogo sobre a Conversão dos Gentios, composto entre 1556 e 1558 pelo padre Manoel da Nóbrega. Destacam-se também o teatro e os poemas do padre José de Anchieta.

A Literatura no Brasil

Século XVII - Sob influência da Contra-Reforma, a estética barroca tenta conciliar opostos como Deus e diabo, bem e mal, carne e espírito, pecado e arrependimento. Na literatura, o conflito se traduz em figuras de oposição, bem como no exagero e no estilo sinuoso. Esse movimento corresponde ao nascimento da literatura brasileira. O marco inicial é o poema Prosopopeia, de 1601, de Bento Teixeira. Mas é Gregório de Matos o melhor representante do gênero. Sua poesia, bastante influenciada por Camões, Gôngora e Quevedo, se subdivide em lírica amorosa, reflexiva e religiosa. Já no gênero satírico, Gregório de Matos não poupa ninguém de suas críticas, ficando por isso conhecido como o do Inferno. Na prosa, destacam-se os sermões do padre Antônio Vieira (Sermão de Santo Antônio aos Peixes).

Século XVIII - O neoclassicismo vai contra os excessos formais do barroco e tenta retomar os valores desenvolvidos no classicismo. Reflete a aversão do espírito iluminista em relação ao obscurantismo religioso do século anterior. Já o termo arcadismo, também atribuído a esse movimento literário, se deve à presença do bucolismo e do pastoralismo de muitos poetas do período, que adotavam pseudônimos de pastores para assinar seus poemas. A publicação, em 1768, de Obras, de Cláudio Manuel da Costa, marca o início do arcadismo no Brasil. Influenciado pelo iluminismo, ele participa da Inconfidência Mineira ao lado dos poetas Silva Alvarenga, Alvarenga Peixoto e Tomás Antônio Gonzaga. Este, além das liras, reunidas em Marília de Dirceu, escreve também poesia satírica como em Cartas Chilenas. No gênero épico destacam-se José Basílio da Gama (O Uraguai) e frei José de Santa Rita Durão (Caramuru). Nessa época, academias literárias reúnem escritores e intelectuais.

Século XIX - A saturação dos modelos neoclássicos e a necessidade de uma literatura que expresse o país independente resultam no florescimento do romantismo. O marco inicial do movimento no Brasil é a publicação de Suspiros Poéticos e Saudades, de Gonçalves de Magalhães, em 1836. O ideal romântico de nacionalismo, expresso pelos indianistas em seu principal representante no poeta Gonçalves Dias (Primeiros Cantos). Já o individualismo é representado pela geração ultra-romântica - Casimiro de Abreu, Junqueira Freire, Fagundes Varela e Álvares de Azevedo - influenciada pelo poeta inglês Lord Byron. O principal representante da geração condoreira é Castro Alves (Espumas Flutuantes), conhecido como o poeta dos escravos. Considerado o fundador do romance nacional, José de Alencar é o autor de narrativas indianistas (O Guarani), históricas (As Minas de Prata), urbanas (Lucíola) e regionalistas (O Gaúcho).

Século XIX (segunda metade) - A saturação da literatura romântica, que se alimentava de uma visão idealizadora da realidade, conduz à consagração do realismo que, influenciado por um cientificismo em voga na época, busca a descrição objetiva da realidade. O maior escritor do período é Machado de Assis (1839-1908). Sua carreira costuma ser dividida em fase de aprendizagem, na qual existem resquícios do romantismo como nos romances Ressurreição, A Mão e a Luva e Helena; e fase de maturidade, em que desenvolve o realismo de penetração psicológica como em Memórias Póstumas de Brás Cubas, Quincas Borba e Dom Casmurro. O naturalismo é mais radicalmente determinista, considerando o homem fruto do meio em que vive e levando a observação ao nível da minúcia, em sua ânsia de descrever a realidade. O principal representante dessa tendência no Brasil é Aluísio Azevedo (O Cortiço). Raul Pompéia desenvolve em O Ateneu (1888) um estilo híbrido, realista com traços naturalistas, incorporando também elementos vagos e sugestivos, característicos do impressionismo, e a descrição grosseira e caricatural do expressionismo.

Ao mesmo tempo que o realismo é a principal tendência da prosa, surgem duas correntes na poesia: o parnasianismo e o simbolismo. O parnasianismo propõe o ideal da arte pela arte, criando uma poesia descritiva, em que sobressaem o rigor formal e o gosto por temas clássicos. No Brasil, o movimento ganha a cena literária a partir da década de 1880, nela permanecendo até o início do século XX. Seus maiores expoentes são Alberto de Oliveira (Meridionais); Raimundo Correia (Sinfonias); e Olavo Bilac (Poesias). Já o simbolismo surge com a publicação, em 1893, de Missal (poemas em prosa) e de Broquéis (poesia); de Cruz e Souza. O movimento preocupa-se não em descrever objetivamente, mas em sugerir. Daí que seus poemas pareçam vagos, feitos de imagens que se originam no sonho, na intuição, nas camadas mais profundas do inconsciente. Os versos são de extrema musicalidade. Os principais poetas simbolistas são Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens (Dona Mística).

1900-1922 - Os modelos parnasianos e simbolistas estão desgastados mas não há ainda uma nova proposta estética, que só surge com o modernismo, em 1922. O pré-modernismo é considerado um período de transição, que tem como denominador comum uma preocupação em entender a realidade social brasileira. Desenvolve-se então o regionalismo, surgido ainda no século XIX com José de Alencar, Franklin Távora e Bernardo Guimarães, caracterizado pela descrição pitoresca dos costumes do interior. Simões Lopes Neto, Valdomiro Silveira e Afonso Arinos são os nomes importantes dessa tendência, mas o destaque fica por conta de Monteiro Lobato, autor de Urupês e Cidades Mortas, que se volta, em seus contos, para o cotidiano do caipira. É também conhecido pelas histórias infantis do Sítio do Picapau Amarelo. Lima Barreto transpõe para seus romances a vida dos subúrbios cariocas, numa linguagem que se distancia da influência parnasiana. Euclides da Cunha relata a Guerra de Canudos na monumental obra Os Sertões. Na poesia destaca-se a obra originalíssima de Augusto dos Anjos (Eu); que traz para o universo da poesia o vocabulário científico e a escatologia característicos do naturalismo.

1922-1930 - O evento que marca o início do modernismo no Brasil é a Semana de Arte Moderna, realizada no Teatro Municipal de São Paulo. Influenciados pelas vanguardas europeias, os modernistas promovem uma revolução estética baseada principalmente no verso livre, na incorporação poética do cotidiano, na utilização de uma linguagem telegráfica, fragmentada, com elementos extraídos da oralidade e do coloquialismo. Entre seus principais representantes estão Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Manuel Bandeira. Destacam-se ainda os escritores Menotti del Picchia e Cassiano Ricardo (do grupo Verde-Amarelo); Raul Bopp e Alcântara Machado.

1930-1945 - Quando as conquistas modernistas já estavam incorporadas aos padrões estéticos nacionais, a geração de 30 volta-se para a denúncia de problemas sociais, que ganham voz no neo-realismo de 30. Romancistas como Graciliano Ramos, autor de Vidas Secas; José Lins do Rego, de Fogo Morto; Rachel de Queiroz, de O Quinze; e Jorge Amado, de O País do Carnaval, tematizam a seca, a vida miserável dos nordestinos pobres, a exploração e desajuste social e psicológico. Érico Veríssimo escreve, nesse período, romances urbanos como Clarissa e Olhai os Lírios do Campo. Na poesia, a tendência é de retorno a um texto de contornos místicos, religiosos e sugestivos, que lembram certos aspectos do romantismo e o simbolismo. Os principais poetas são Jorge de Lima, Murilo Mendes, Cecília Meireles, Vinicius de Moraes e Augusto Frederico Schmidt. Mário Quintana irá continuar essa tendência até quase nossos dias. Já Carlos Drummond de Andrade, um dos mais importantes poetas brasileiros, realiza uma síntese entre racionalismo e lirismo, revolta e conformismo, angústia e humor.

1945-1960 - A literatura brasileira apresenta uma tendência ao experimentalismo linguístico. João Guimarães Rosa, autor de Sagarana e Grande Sertão: Veredas, desenvolve um universalista. João Cabral de Melo Neto apresenta a problemática social em Morte e Vida Severina e uma poesia em que sobressaem o rigor formal, a contenção, sem prejuízo do lirismo em obras como A Educação pela Pedra. Clarice Lispector (Perto do Coração Selvagem e Laços de Família) volta-se para a realidade psicológica dos personagens, revelando influência do existencialismo e desenvolvendo as técnicas do fluxo de consciência. Em 1956 surge a poesia concreta, movimento de vanguarda criado pelos poetas Haroldo de Campos, Augusto de Campos e Décio Pignatari. Ela se opõe ao formalismo da geração de 45, impondo uma atitude mais parecida com a dos modernistas de 22, na medida em que propõe a destruição do verso e a exploração inovadora dos espaços da página. Rivalizando com o grupo concretista surge, em 1962, a Poesia Práxis, de Mário Chamie.

Últimas décadas do Sérculo XX

Décadas de 60 e 70 - A situação política do país, com seus sucessivos governos militares e censura, fortalece os romances-reportagens, como os de José Louzeiro, e os romances que têm como pano de fundo a realidade do país, como Quarup, de Antônio Callado. São também retratos da época livros como Zero, de Inácio Loyola Brandão, e A Festa, de Ivan Ângelo. Com linguagem apurada, destaca-se Raduan Nassar. Lígia Fagundes Telles publica contos e romances de grande penetração psicológica. Os contos de Dalton Trevisan misturam o grotesco ao banal. Pedro Nava destaca-se como memorialista. Ferreira Gullar, que se distanciara da poesia concreta, continua a produzir sua chamada poesia participante. A partir do final dos anos 70 surge a chamada geração mimeógrafo, criadores de uma poesia anárquica, satírica e coloquial. Destacam-se Ana Cristina César e Cacaso.

Décadas de 80 e 90 - Não há movimentos literários organizados, mas é possível distinguir talentos individuais. No romance, João Ubaldo Ribeiro continua sua obra inspirada no Nordeste. Nessa linha surge também J.C. Dantas. No romance intimista distingue-se a obra de estreia de Milton Hatoum (Relato de um Certo Oriente). Rubem Fonseca disseca a motivação de seus personagens urbanos em histórias realistas e violentas. Em João Gilberto Noll a sexualidade vem acompanhada de um clima pesado de delírio. João Silvério Trevisan (Em Nome de Deus) aborda o amor homossexual. Na poesia há grande influência do concretismo nas obras de Paulo Leminski e Arnaldo Antunes e até mesmo de compositores da MPB como Caetano Veloso. Outros poetas realizam trabalhos muito pessoais, como José Paulo Paes, Hilda Hilst, Nelson Ascher e Adélia Prado. Nessa época se torna mais conhecida a obra Manoel de Barros, com sua poesia ligada à região do Pantanal.

Ensino com Tecnologia - Professor Osvaldo Andrade
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