Literatura

Literatura é arte que usa a palavra como expressão da sensibilidade humana.

Romantismo em Portugal

Tendência que se manifesta nas artes e na literatura do final do século XVIII até o fim do século XIX. Nasce na Alemanha, na Inglaterra e na Itália, mas é na França que ganha força e de lá se espalha pela Europa e pelas Américas. Opõe-se ao racionalismo e ao rigor do neoclassicismo. Caracteriza-se por defender a liberdade de criação e privilegiar a emoção. As obras valorizam o individualismo, o sofrimento amoroso, a religiosidade cristã, a natureza, os temas nacionais e o passado. A tendência é influenciada pela tese do filósofo Jean-Jacques Rousseau (1712-1778) de que o homem nasce bom, mas a sociedade o corrompe. Também está impregnada de ideais de liberdade da Revolução Francesa (1789).

Principais representantes

Classificamos os autores românticos de Portugal em duas gerações:

1ª geração: Almeida Garrett, Alexandre Herculano e Castilho, bastante presos ao Arcadismo;

2ª geração: Camilo Castelo Branco, Júlio Dinis, João de Deus e Soares dos Passos, já encaminhando o movimento para o Ulta-romantismo.

Romantismo Português

O Romantismo é um movimento amplo de vida e arte que teve início no final do século XVIII e se estendeu até a primeira metade do século XIX. Estava associado às mudanças sociais e políticas provocadas pela Revolução Industrial e pela Revolução Francesa. Com seu tríplice ideal de liberdade, igualdade e fraternidade, a revolução quebrava o império do absolutismo iluminista e difundia pela Europa todo um clima favorável à ascensão da burguesia ao poder.

No final do século XVIII. já surgiam na Europa os primeiros sintomas do Romantismo: primazia da emoção sobre a razão, retorno à natureza e ao sentimento religioso, revalorização da Idade Média e tendência ao exótico e ao sobrenatural. Deu-se entre 1797 e 1810, primeiramente na Alemanha, com a poesia de Goethe e Schiller; em seguida na Inglaterra, com o romance de Walter Scott e a poesia de Byron. Mas é a partir da França que o estilo difunde-se por toda a Europa, com Madame de Staël, Chateaubriand, Lamartine, Victor Hugo...

O Romantismo foi um movimento artístico-cultural de grande envergadura e profundidade.

ARTES PLÁSTICAS – O romantismo chega à pintura no início do século XIX. Na Espanha, o principal expoente é Francisco Goya (1746-1828). Na França destaca-se Eugène Delacroix (1798-1863), com sua obra Dante e Virgílio. Na Inglaterra, o interesse pelos fenômenos da natureza em reação à urbanização e à Revolução Industrial é visto como um traço romântico de naturalistas como John Constable (1776-1837). O romantismo na Alemanha produz obras de apelo místico, como as paisagens de Caspar David Friedrich (1774-1840).

LITERATURA – A poesia lírica é a principal expressão. Também são freqüentes os romances. Frases diretas, vocábulos estrangeiros, metáforas, personificação e comparação são características marcantes. Amores irrealizados, morte e fatos históricos são os principais temas. O marco da literatura romântica é Cantos e Inocência (1789), do poeta inglês William Blake (1757-1827). O livro de poemas Baladas Líricas, do inglês William Wordsworth (1770-1850), é uma espécie de manifesto do movimento. O poeta fundamental do romantismo inglês é Lord Byron (1788-1824). Na linha do romance histórico, o principal nome é o escocês Walter Scott (1771-1832). Na Alemanha, o expoente é Goethe (1749-1832), autor de Fausto.

O romantismo impõe-se na França no fim da década de 1820 com Victor Hugo (1802-1885), autor de Os Miseráveis. Outro dramaturgo e escritor francês importante é Alexandre Dumas (1802-1870), autor de Os Três Mosqueteiros.

MÚSICA – Os compositores buscam liberdade de expressão. Para isso, flexibilizam a forma e valorizam a emoção. Exploram as potencialidades da orquestra e também cultivam a interpretação solo. Resgatam temas populares e folclóricos, que dão ao romantismo caráter nacionalista.

A transição do classicismo musical, que acontece já no século XVIII, para o romantismo é representada pela última fase da obra do compositor alemão Ludwig van Beethoven (1770-1827). Nas sonatas e em seus últimos quartetos de cordas, começa a se fortalecer o virtuosismo. De suas nove sinfonias, a mais conhecida e mais típica do romantismo é a nona. As tendências românticas consolidam-se depois com Carl Maria von Weber (1786-1826) e Franz Schubert (1797-1828).

O apogeu, em meados do século XIX, é atingido principalmente com Felix Mendelssohn (1809-1847), autor de Sonho de uma Noite de Verão, Hector Berlioz (1803-1869), Robert Schumann (1810-1856), Frédéric Chopin (1810-1849) e Franz Liszt (1811-1886). No fim do século XIX, o grande romântico é Richard Wagner (1813-1883), autor das óperas românticas O Navio Fantasma e Tristão e Isolda.

TEATRO – A renovação do teatro começa na Alemanha. Individualismo, subjetividade, religiosidade, valorização da obra de Shakespeare (1564-1616) e situações próximas do cotidiano são as principais características. O drama romântico em geral opõe num conflito o herói e o vilão. Os dois grandes expoentes são os poetas e dramaturgos alemães Goethe e Friedrich von Schiller (1759-1805). Victor Hugo é o grande responsável pela formulação teórica que leva os ideais românticos ao teatro. Os franceses influenciam os espanhóis, como José Zorrilla (1817-1893), autor de Don Juan Tenório; os portugueses, como Almeida Garrett (1799-1854), de Frei Luís de Sousa; os italianos, como Vittorio Alfieri (1749-1803), de Saul; e os ingleses, como Lord Byron (1788-1824), de Marino Faliero.

Características

Volta ao passado - para fugir dos conflitos presentes, os românticos se voltavam para o passado, especialmente a Idade Média.

Subjetividade - o homem abandonou a visão universalista do homem clássico e passou a ter uma visão individualista. A realidade era revelada pelo impulso pessoal e não pela imposição de uma escola.

Sentimentalismo - A emoção passou a predominar sobre a razão, inversamente ao que se pretendia no Classicismo. Daí o exagero tanto em prosa como em verso.

Culto à natureza - o mar, a floresta, os rios, a noite, as ruínas, os penhascos, o mistério, tudo passou a ser tema poético para o romântico.

Liberdade criadora - o romântico arrogava a si o direito de julgar o belo e o verdadeiro. era a independência no modo de se expressar, livre de regras estanques. A única regra era: a inspiração.

Idealização do mundo - os românticos buscavam um mundo perfeito e ideal que compensasse este mundo de sofrimento. Era a evasão e o sonho.

Idealização da mulher - o romântico convertia a mulher em anjo, em figura poderosa e inatingível.

Fé e cristianismo - enquanto o Classicismo cultuava a mitologia pagã, o Romantismo acreditava em Deus e nas suas ações grandiosas.

Ânsia de reforma - os românticos queriam reformar o mundo, as instituições e a arte. Daí o culto aos grandes personagens da história.

Linguagem popular - da linguagem erudita e clássica passou-se à linguagem popular e à poesia sem metrificação rígida.

Ensino com Tecnologia - Professor Osvaldo Andrade
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