Redação

Tudo que se escreve é Redação.

Narração

Em geral, a narrativa se desenvolve em prosa. O ato de narrar surge da busca em transmitir uma comunicação qualquer, um acontecimento ou situação de que se tenha participado direta ou indiretamente. Dependendo do enfoque do narrador surgem as abordagens: com ou sem a participação dele. Quando há participação do narrador no fato narrado, costuma-se dizer que o texto está em primeira pessoa. Quando não há esta presença, diz-se que o texto encontra-se em terceira pessoa. A este envolvimento dá-se o nome de foco narrativo.


Discurso:
É o meio utilizado pelo narrador para expressar as falas e pensamentos das personagens. Os discursos podem ser:
direto: reprodução exata da fala da personagem;
indireto: o autor, com suas palavras, reproduz o que a personagem disse;
indireto livre: ocorre quando as falas do narrador e da personagem parecem confundir-se. Não há sinais distintos que diferenciam as falas.

No texto narrativo há predominância de verbos que indicam ação.

Discurso

No estudo de uma narração, entre os elementos que a compõe, temos o narrador, fatos, personagens... Os personagens atuam, participam do fato narrado, e normalmente falam ou dialogam. À fala dos personagens chamamos discurso.

As falas – ou discursos – podem ser estruturadas de duas formas básicas, dependendo de como o narrador as reproduz: o discurso direto e o discurso indireto.

O discurso direto caracteriza-se pela reprodução fiel da fala do personagem, como ocorre no exemplo seguinte:
"O Paranoico só fala no telefone tapando o bocal com um lenço. Para disfarçar a voz.
- Podem estar gravando.
- Mas você ligou para saber a hora certa!
- Nunca se sabe."
(Luis Fernando Veríssimo, "O rei do rock)

Normalmente, as falas de um diálogo são acompanhadas de alguns verbos, como: dizer, perguntar, responder, contestar, retrucar, etc. No texto acima, de L. F. Veríssimo, não se usaram verbos para indicar as falas; já neste exemplo de Lima Barreto, do romance Triste fim de Policarpo Quaresma, percebe-se o emprego de verbos para auxiliar na indicação do personagem que fala e, em certas ocasiões, para caracterizar o clima do diálogo e a intenção do falante:
"- Tens composto muito, Ricardo? Indagou Quaresma.
- Hoje acabei uma modinha.
- Como se chama? Indagou Dona Adelaide.
- Os lábios da Carola.
-Bonito! Já fez a música?
Era ainda a irmã de Quaresma a perguntar. Ricardo levava agora o garfo à boca; deixou-o suspenso entre os lábios e o prato e respondeu com toda a convicção:
- A música, minha senhora, é a primeira cousa que faço."

O discurso indireto ocorre quando o narrador se utiliza da palavras suas para reproduzir a fala de um personagem:
"E ria, de um jeito sombrio e triste; depois pediu-me que não referisse a ninguém o que se passara entre nós; ponderei-lhe que a rigor não se passara nada."
(Machado de Assis – Memórias póstumas de Brás Cubas)

Como se observa, o diálogo é reproduzido em sua totalidade com palavras do próprio narrador, que faz uma síntese de cada fala. Curiosamente, o fragmento apresentado é narrado em primeira pessoa, e uma das falas, reproduzida em discurso indireto, é a do próprio narrador.

Finalmente, há um caso misto de reprodução das falas dos personagens. Leia com atenção o fragmento seguinte:
"Como nas noites precedentes, uma fila de agricultores se formou na porta de uma padaria e o padeiro saiu a informar que não havia pão. Por quê? O padeiro respondeu que não havia farinha. Onde então estava ela? Os agricultores invadiram a padaria e levaram o estoque de roscas e biscoitos, a manteiga e o chocolate.
(Garcia de Paiva – Os agricultores arrancam paralelepípedos)

O fragmento apresentado é muito interessante, pois o autor reproduz uma conversa entre um grupo de agricultores e um padeiro sem se utilizar da estrutura tradicional de diálogos. Nas duas falas do padeiro temos exemplos de discurso indireto: "O padeiro saiu a informar que não havia pão" e "O padeiro respondeu que não havia farinha".

Por outro lado, quando o narrador reproduz a fala dos agricultores, ele o faz literalmente, ou seja, usando a mesma forma com a qual eles se expressaram, o que é uma característica do discurso direto. Quando isso ocorre – algumas expressões do discurso direto intercaladas ao discurso indireto – temos um discurso misto, a que chamamos discurso indireto livre.

Elementos da narrativa

ENREDO - é a sequência e o encadeamento dos fatos;
PERSONAGENS - seres ou entidades criados pelo autor com a função de atuar;
ESPAÇO - local onde se desenvolve a narração;
TEMPO - indicação do momento em que ocorre o fato;
TEMA - ideia principal da narrativa;
CLÍMAX - é o momento de maior intensidade dos fatos.

Estrutura narrativa

APRESENTAÇÃO: o autor apresenta as personagens. Localiza-as no tempo e no espaço. O relacionamento entre elas está normal, não há conflito;
COMPLICAÇÃO: surge um conflito entre as personagens, gerando uma quebra da normalidade, que vai se sucedendo em sequências de fatos;
DESFECHO: o conflito criado entre as personagens chega ao seu fim. Esse desfecho pode ser feliz ou trágico: feliz se elas conseguem voltar a assumir a posição inicial e trágico se não conseguem vencer a complicação.

Ensino com Tecnologia - Professor Osvaldo Andrade
ocsanmail@gmail.com