Literatura

Literatura é arte que usa a palavra como expressão da sensibilidade humana.

Barroco no Brasil

Dois são os estilos no Barroco literário:

CULTISMO

Caracterizado pela linguagem rebuscada, culta, extravagante; valorização do pormenor mediante jogo de palavras, com forte influência do poeta espanhol Luís de Gôngora (daí o estilo ser conhecido, também, por "gongorismo"). Os mais bem elaborados textos cultistas de nossa literatura são os de Gregório de Matos.

CONCEPTISMO

Marcado pelo jogo de ideias, de conceitos, seguindo um raciocínio lógico, racionalista, usando uma retórica aprimorada. Um dos principais cultores do Conceptismo foi o espanhol Quevedo, donde deriva o termo "quevedismo". Os padres jesuítas desenvolviam de forma brilhante esse elaborado jogo de conceitos, com destaque para o padre Antônio Vieira.

Barroco brasileiro

O termo Barroco denomina as várias manifestações artísticas que marcaram o século XVII e início do século XVIII. E aqui cabe uma observação: é necessário distinguir duas manifestações do Barroco no Brasil-Colônia, geográfica e cronologicamente distintas: o Barroco literário e arquitetônico da Bahia do século XVII, e o Barroco mineiro do século XVIII, que nos deixou uma belíssima produção musical e fantásticas obras arquitetônicas e esculturais, com destaque para o gênio de Aleijadinho. É interessante notar que o Barroco mineiro é uma manifestação tardia, sendo contemporâneo da escola literária do Arcadismo.

O Barroco literário no Brasil tem seu marco inicial em 1601, com a publicação do poema Prosopopeia, de Bento Teixeira.

O estilo barroco nasceu da crise dos valores clássicos do Renascimento, ocasionada pelos conflitos religiosos e pelas dificuldades econômicas que se seguiram à falência do comércio com o Oriente.

O homem barroco vive um estado de tensão e desequilíbrio, do qual tenta evadir-se cultuando um rebuscamento exagerado. Vivendo em conflito, produz uma obra de arte marcada pelas oposições, num incessante jogo de claro e escuro, de luz e sombra, de alto e baixo relevo, de sobe e desce, dividido entre o efêmero e o eterno.

A princípio influenciado pelo barroco português, o movimento assume características próprias no Brasil, dando início efetivo à arte nacional:

ARTES PLÁSTICAS

A principal produção, ligada à Igreja, concentra-se em Minas Gerais, centro de riqueza da época. Predominam esculturas de materiais típicos nacionais, como madeira e pedra-sabão. O arquiteto, entalhador e escultor Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho, é o grande expoente. Entre suas obras-primas estão as esculturas Os Doze Profetas e Os Passos da Paixão, na Igreja de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas do Campo (MG). Outros artistas importantes são o escultor carioca Mestre Valentim (1750-1813) e o pintor mineiro Manuel da Costa Ataíde (1762?-1830). Na Bahia destaca-se a decoração de algumas igrejas em Salvador, como a de São Francisco de Assis e a da Ordem Terceira de São Francisco. No Rio de Janeiro, um exemplo é o interior da Igreja do Mosteiro de São Bento.

LITERATURA

O marco inicial do barroco na literatura brasileira é a publicação, em 1601, de Prosopopeia, poema épico de Bento Teixeira (1561-1600) sobre a conquista de Pernambuco. O poeta baiano Gregório de Matos, o Boca do Inferno, em razão de sua ácida sátira social, é o principal nome do período, com uma obra que vai do religioso ao satírico e ao erótico. Na prosa, restrita aos sermões, destaca-se o missionário jesuíta português padre Antônio Vieira. No começo do século XVIII, as academias difundem o gosto pelas letras e realizam trabalho de pesquisa histórica. As principais academias são a dos Esquecidos, em Salvador (1724-1725), a dos Felizes (1736-1740) e a dos Seletos (1752-1754), no Rio de Janeiro.

MÚSICA

Há grande produção por encomenda da Igreja. A partitura mais remota, de 1759, é Recitativo e Ária, de autoria desconhecida, com texto cantado em português. No Recife existem documentos relativos à atuação dos compositores Inácio Ribeiro Noia (1688-1773) e Luís Álvares Pinto (1719-1789). Em Minas Gerais, os compositores inspiram-se nas óperas napolitanas e na música religiosa portuguesa de caráter polifônico. Os principais são José Joaquim Américo Lobo de Mesquita (1746-1805), Marcos Coelho Neto (1740-1806), Inácio Parreiras Neves (1730-1793) e Manoel Dias de Oliveira (1764-1837). No fim do século XVIII destaca-se o carioca José Maurício Nunes Garcia (1767-1830).

TEATRO

É pouco conhecido em virtude da proibição de publicações de textos na colônia. Predominam os autos religiosos, encenados pelos padres jesuítas desde o início da colonização, mas desenvolve-se também um teatro profano. Um dos poucos autores a ter suas obras conhecidas é o baiano Manuel Botelho de Oliveira (1636-1711). Influenciado pelo barroco espanhol, escreve as comédias Hay Amigo para Amigo e Amor, Engaños e Celos.

Características

a) Tentativa de unir valores opostos:
Renascimento X Contra Reforma;
mitologia X catolicismo;
antropocentrismo X teocentrismo.

b) Homem angustiado

c) Rebuscamento, exagero, extravagância

d) Antíteses, metáforas, hipérboles

e) Cultismo e Conceptismo

Autores e obras:

Bento Teixeira
Prosopopeia

Gregório de Matos Guerra
Poesia sacra;
Poesia lírica;
Poesia graciosa;
Poesia satírica;
Últimas.

Pe. Antônio Vieira
Sermão da Sexagésima;
Sermão pelo bom sucesso das armas de Portugal contra as de Holanda;
Sermão de Santo Antônio aos peixes.

Ensino com Tecnologia - Professor Osvaldo Andrade
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