Literatura

Literatura é arte que usa a palavra como expressão da sensibilidade humana.

Realismo no Brasil

No Brasil, o realismo marca mais intensamente a literatura e o teatro.

ARTES PLÁSTICAS – Entre os artistas brasileiros, tem maior expressão o realismo burguês, nascido na França. Em vez de trabalhadores, o que se vê nas telas é o cotidiano da burguesia. Dos seguidores dessa linha se destacam Belmiro de Almeida (1858-1935), autor de Arrufos, que retrata a discussão de um casal, e Almeida Júnior (1850-1899), autor de O Descanso do Modelo. Mais tarde, Almeida Júnior aproxima-se de um realismo mais comprometido com as classes populares, como em Caipira Picando Fumo.

LITERATURA – O realismo manifesta-se na prosa. A poesia da época vive o parnasianismo. O romance é a principal forma de expressão, tornando-se veículo de crítica a instituições e à hipocrisia burguesa. A escravidão, os preconceitos raciais e a sexualidade são os principais temas, tratados com linguagem clara e direta.

O realismo atrai vários escritores, alguns antes ligados ao romantismo. O marco é a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, que faz uma análise crítica da sociedade da época. Ligados ao regionalismo destacam-se Manoel de Oliveira Paiva (1861-1892), autor de Dona Guidinha do Poço, e Domingos Olímpio (1860-1906), de Luzia-Homem.

TEATRO – Os problemas do cotidiano ocupam os palcos. O herói romântico é substituído por personagens do dia-a-dia e a linguagem passa a ser coloquial.

Entre os principais autores estão romancistas realistas, como Machado de Assis, que escreve Quase Ministro, e alguns românticos, como José de Alencar, com O Demônio Familiar, e Joaquim Manuel de Macedo (1820-1882), com Luxo e Vaidade. Outros nomes de peso são Artur de Azevedo (1855-1908), criador de comédias e operetas como A Capital Federal e O Dote, Quintino Bocaiúva (1836-1912) e França Júnior (1838-1890).

Realismo Brasileiro

"O Romantismo era a apoteose do sentimento; o Realismo é a anatomia do caráter. É a crítica do homem. É a arte que nos pinta a nossos próprios olhos - para nos conhecermos, para que saibamos se somos verdadeiros ou falsos, para condenar o que houve de mau na nossa sociedade." (Éça de Queirós)

Em 1857, mesmo ano em que no Brasil era publicado "O guarani", de José de Alencar, na França é publicado "Madame Bovary", de Gustave Flaubert, considerado o primeiro romance realista da literatura universal.

O Realismo reflete as profundas transformações econômicas, políticas, sociais e culturais da segunda metade do século XVIII, entra numa nova fase, caracterizada pela utilização do aço, do petróleo e da eletricidade. O capitalismo se estrutura em moldes modernos, com o surgimento de grandes complexos industriais; por outro lado, a massa operária urbana avoluma-se, formando uma população marginalizada que não partilha dos benefícios gerados pelo progresso industrial. Essa nova sociedade serve de pano de fundo para uma nova interpretação da realidade, gerando teorias de variadas posturas ideológicas.

Todo o século XIX foi marcado pelo progresso da ciência e da indústria e pela evolução dos estudos sociais. Debatia-se acaloradamente o Positivismo de Augusto Comte, o Evolucionismo de Darwin, o Determinismo de Hippolyte Taine e o Manifesta Comunista (1848) de Marx e Engels. Crescia a confiança na capacidade humana de resolver seus problemas valendo-se da razão e inteligência, ao invés da emoção e sensibilidade.

Três manifestações coexistiram nesse período no Brasil: o Realismo, o Naturalismo e o Parnasianismo.


Parnasianismo

Surgimento: França, década de 1860 - Brasil, década de 1880.

Características:
1 - Reação à poesia romântica (tentativa de poesia realista);
2 - Objetividade e impassibilidade do poeta;
3 - Culto à forma, entendida como métrica, rima e versificação;
4 - Utilização de fórmulas poéticas fixas como o soneto;
5 - Arte pela arte: a arte só tem compromisso com sua beleza;
6 - Temas principais: Antigüidade greco-romana; discussão sobre a própria poesia; descrição de cenas da natureza e de objetos.

Parnasianismo no Brasil

a) Literatura descompromissada das elites;
b) Ampla dominação cultural parnasiana (1882-1922) que desencadeia, por oposição, a Semana de Arte Moderna.

A tríade parnasiana:

1) Olavo Bilac (Tarde, Poesias, Via-láctea, Sarças de fogo)

Temas principais: Natureza - Pátria - Antigüidade greco-romana - Amor sensual e amor platônico - Questionamento da própria poesia.

Características básicas: Rigidez métrica e luta pela perfeição formal - Desvios na objetividade parnasiana, resultantes de uma pretensa "herança romântica" que se traduz em temas subjetivos como o amor (seja o erótico, seja o platônico) e o nacionalismo.

Poemas mais conhecidos: Profissão de fé - In extremis - O caçador de esmeraldas.

2) Raimundo Correia (Meridionais)

Temas principais: Natureza - Melancolia da existência.

Características básicas: Recursos visuais (plásticos) e sonoros na confecção dos versos - Tentativa de um sentido filosofante na poesia em geral.

Poemas mais conhecidos: As pombas - Mal secreto.

3) Alberto de Oliveira

Temas principais: Natureza - Descritivismo de objetos.

Característica básica: Adesão completa e rígida a todos os princípios do movimento.

Naturalismo no Brasil

No país, a tendência manifesta-se nas artes plásticas e na literatura. Não há produção de textos para teatro, que se limita a encenar peças francesas.

Nas artes plásticas está presente na produção dos artistas paisagistas do chamado Grupo Grimm. Seu líder é o alemão George Grimm (1846-1887), professor da Academia Imperial de Belas-Artes. Em 1884, ele rompe com a instituição, que segue as regras das academias de arte e rejeita a prática de pintar a natureza ao ar livre, sem seguir modelos europeus. Funda, então, o Grupo Grimm em Niterói (RJ). Entre seus alunos se destaca Antonio Parreiras (1860-1945). Outro naturalista importante é João Batista da Costa (1865-1926), que tenta captar com objetividade a luz e as cores da paisagem brasileira.

Na literatura, em geral não há fronteiras nítidas entre textos naturalistas e realistas. No entanto, o romance O Mulato (1881), de Aluísio Azevedo (1857-1913), é considerado o marco inicial do naturalismo no país. Trata-se da história de um homem culto, mulato, que vive o preconceito racial ao se envolver com uma mulher branca. Outras obras classificadas como naturalistas são O Ateneu, de Raul Pompéia (1863-1895), e A Carne, de Júlio Ribeiro (1845-1890). A tendência está na base do regionalismo, que, nascido no romantismo, se consolida na literatura brasileira no fim do século XIX e existe até hoje.

Ensino com Tecnologia - Professor Osvaldo Andrade
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